domingo, 25 de março de 2012

Carta em resposta

Olá, estranha.

Penso em como tudo ficou tão... Perdido. E você concorda comigo. Tudo sempre volta pra esse ponto, quando confidenciamos o que acontece, deixa de acontecer, como tudo ainda machuca tanto. E batemos na mesma tecla.
Eu fico feliz em saber que tudo anda bem por aí, fluindo, e tudo mais. Ao contrário do que você pensa, o barco aqui tá afundando e eu já perdi o jeito de remar. Tô deixando a correnteza me levar pro fundo, pra queda d'água e simplesmente desisti de resistir. Chega uma hora que as coisas simplesmente param de fazer sentido, até mesmo lutar pra ficar bem. Eu só tento maquiar tudo isso porque você sabe como sou com aparências. Curvas contrárias, sorriso de um lado e por dentro o oposto.
Sabe que como a gente nunca vai existir, né? E nem deixar de existir. Não tem jeito, foi escrito, queimado a ferro e fogo na nossa essência, na nossa alma... Se me perguntam de você eu já nem respondo mais, balanço a cabeça e basta olhar em meus olhos pra ver a resposta.
Estou ouvindo aquela música que tocou no seu player por mais de 15 minutos. Ela me lembra a gente, exceto pelo fato de que eu nunca vou achar alguém como você. E não quero.

Ultimamente eu sou só um abismo. E desejo do fundo do meu oco coração que seu caminho daqui em diante seja diferente do que o destino parece ter reservado pra mim.

Ainda. Como antes, como sempre.

(Se cobre, se cuida)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A tormenta, a parede, o impasse

Às vezes suspiro e penso que nasci pra ser sozinha. Não que eu acredite que desde o nascimento somos predestinados a algo, pelo contrário, sempre acreditei que nosso caminho só é escrito através dos caminhos das nossas escolhas.
O que me leva realmente a essa filosofia é pelo simples fato de que não me encaixo. Eu me sinto deslocada em todas as situações que envolvem relacionamentos, com namoros, com romances. Tenho a mania, aliás, não é mania. Sempre acontece algo pra que essa sensação de "peixe fora d'água" ocorra. É como um karma, algo sempre vem atrapalhar as coisas pra não darem certo.
Claro que eu sei que é impossível ter estabilidade em qualquer campo da vida que seja e que as coisas ruins acontecem o tempo todo. Faz parte desse cenário injusto que vivemos. Mas, é sempre assim comigo. Eu me vejo andando em círculos, rodando em um mesmo caminho e chegando no ponto de sempre: não me encaixo.
Como definir esse desencaixe? Bom, eu consigo me adaptar, faço planos (um dos meus hobbies preferidos), consigo sorrir, imaginar que as coisas darão certo. Mas, acaba tudo sendo superficial demais. Eu sinto, que lá  no fundo do meu buraco negro de sentimentos, falta alguma coisa. Fica tudo pincelado, mas a alma não muda, a essência, a minha essência solitária.
Não vejo tudo isso como um problema meu, um defeito. Eu tento todos os dias me abrir mais, expandir as fronteiras... Afinal, eu quero que as coisas deem certo pra mim, é óbvio. Mas, quando o barco parece estar fluindo, os ventos soprando na direção certa, vem a tempestade. E essa tempestade não é exterior, é dentro de mim. Certas coisas me fazem uma bagunça tão grande que eu acabo desistindo de tudo. Desisto dos sonhos, dos planos, da vontade de me esforçar pra que tudo continue fluindo. Eu não sei lidar com certas situações, e estas, acabam comigo.
A questão verdadeira é o meu cansaço desses baldes de água fria que as pessoas me jogam. Eu quero, penso até que mereço, coisas mais simples, verdadeiras. Sem pendências, sem interferências, sem nada e nem ninguém que atrapalhe. Mesmo que as coisas estejam resolvidas, isso cria uma confusão imensa em mim.

E eu já estou cansada de tentar colocar tudo no lugar quando isso acontece.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Por pedido seu

Sempre disse que gostava dos seus olhos escuros, nunca me atravi a olhar tão profundamente naquele par de abismos como aquele dia, num café qualquer (que eu fiz questão de fingir que esqueci). Até então, eu não havia percebido nada de errado com você, ou com a gente. Mas essa falsa impressão acabo no momento que te vi entrar.
Eu, sorri como de costume, mas desta vez você não retribuiu com uma careta-estou-me-esforçando-pra-ser-feia-mas-sou-linda-sempre. Não consegui ver seu brilho, só uma opacidade. As mãos trêmulas demonstravam um nervosismo incomum. Em silêncio, me privei de perguntar o que estava acontecendo. Eu não queria, mas sabia do presente e do futuro. Previsão certa.
Passou um tempo desde então. Não havia te procurado por pedido seu. E evitava os lugares em que houvesse a mínima possibilidade de te encontrar. Até hoje. Você na minha locadora preferida, covardia. No momento em que encontrei seus olhos, senti tanta coisa ao mesmo tempo... Uma avalanche de pensamento. De gavetas se abrindo e jogando pra fora tudo que eu guardei com muito, muito esforço, nesse tempo que passou. Tudo que guardei em vão.
Ao te ver eu senti na pele de novo tudo que aconteceu com a gente. Tudo. Naquele momento, quis falar contigo, despejar tudo isso que me atormentou durante esses meses. Tudo que eu guardei, a pedido seu. Eu quis, acima de tudo, saber o porquê. Saber porque você saltou do nosso barco e me deixou remando sozinho bem quando o vento soprava ao nosso favor. Você me largou parado na esquina dos desencontros e eu fiquei ali, sem saber pra qual caminho seguir.
Pra acrescentar, eu ainda queria te dizer tudo que eu ainda sentia. Como eu sentia falta do seu cheiro de hortelã, do jeito de se arrepiar com meu beijo na sua nuca, acabando com seu mau-humor matinal enquanto bebi Coca-Cola no café da manhã, toda esquisitinha. Dizer que me fazia falta o jeito como você encolhia os pés e encostava na minha perna quando sentia frio e como ficava linda com o cabelo desgrenhado quando estava enlouquecendo com o mundo todo por não fazer as coisas do seu jeito.
Ali, eu queria dizer que te amava, ainda. E no momento que você sorrisse pra mim, em resposta a tudo isso que ouviria, eu te roubaria do resto do mundo deixando bem claro que não te faria a pessoa mais feliz do mundo, mas que eu seria o cara mais esforçado tentando te fazer feliz, apenas.
Em poucos segundos, eu quis te falar tanta coisa, mas... Não. Eu sorri pra você, você sorriu de volta (creio eu apenas pra mostrar que sua mãe lhe educou muito bem). Eu, segui andando, fingindo que te ver não fez a mínima diferença no meu dia, quando na verdade me virou de ponta cabeça.
E, adivinha? Você estava mais linda do que nunca.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Que seja certo

Ultimamente não tenho tido uma boa definição do que sou, me tornei ou pretendo ser. Estou "deixando ser", vagando por aí. Eu, que vivia fazendo planos, parei por medo de que esses não se concretizem. Eu, que vivia sorrindo por aí aos conhecidos e desconhecidos, agora apenas sorrio em resposta. Se ano novo deve vir com comportamento novo, o meu, definitivamente, não é o mesmo.
Deixei de voar por coisas que não me davam asas.
Talvez os dias e os tropeços tenham me saturado, me desgastado. Talvez não, aposto e ganho que foi isso. Cansei de todas as pessoas que passaram por mim até hoje, usaram o que precisaram e partiram estrada a fora. Cansei de ser um ponto de parada pra forasteiros desavisados.
De ontem em diante, eu quero que as coisas sejam certas, sejam válidas, sejam permanentes. Eu não quero mais aventuras de uma noite ou de um mês. Tenho uma soma pequena na idade mas uma pilha enorme de desilusões e de castelos que se desmoronaram.
Se você quer vir, traga tudo. Mochila, escova de dentes e coração. Mas, que eu seja um lar, não apenas uma casa pra se aconchegar durante uma viagem fria.

Intensidade por intensidade. De agora pra frente.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Desde os casos mais antigos

No que diz respeito a mim, palavras completam a mais pura expressão de sentimento, importância, intimidade: "Se te escrevo é porque te gosto."
Resolvi fazer uma ciranda ao meu redor. E essa ciranda vem com alguns nomes, seus carinhos e as minhas saudades.
Tudo começou sem ao menos começar. Eu ainda me conhecia menos do que conheço hoje. Tinha uma guria que gostava de cantar, e também de me encantar. Pra falar a verdade, eu não lembro quanto tempo durou, mas sei que a culpa por não ter sido, foi minha. De lá pra cá foram alguns anos. Ela cresceu, tá ficando cada dia mais linda, eu amadureci, só. "Quero que você continue cada dia mais sol, cada dia mais riso. E que meu ciúme por você só aumente."
Teve outra, doce como nunca vi. Eu nunca entendi ao certo como começou e nem como terminou, foi tudo tão rápido, literalmente falando. O que restou daqueles dias foi uma amizade que eu carrego com o maior zelo. Ficou o cuidado, a vontade de cuidar, a preocupação. Ficou o amor, os conselhos pros meus choros desesperados e o melhor colo de todos.
Eu já pisei na bola com muita gente, com ela foi... Talvez a maior burrada que eu já tenha feito. Pisar na confiança de alguém é um erro pra nunca se cometer. Eu aprendi isso, infelizmente, depois de magoá-la. Agradeço aos céus por existir o perdão e por ela ser assim tão linda como é e me deixar ficar junto mesmo depois das coisas que fiz. Essa garota tem um dos lugares mais bonitos comigo. E vai ter por todo tempo que desejar, mesmo em cruzamentos diferentes.
Tem uma que eu não tenho o que falar por não saber o que falar a respeito. Costumo pensar que ela é a metade que me falta, que tem a forma completa dos buraquinhos no meu coração. A história é longa, quase 4 anos. Muito bem vividos e sorridos. Foi com ela que eu aprendi a acreditar um pouquinho em destino, quando duas pessoas se perdem de uma forma tão triste mas que se reencontram e parece que tudo aconteceu ontem. As coisas continuam cada dia mais vivas, mesmo que os papéis tenham sido trocados. "Pra você, eu sussurro: nunca quero te perder. Nunca, nunquinha."
Quando eu penso em intensidade, restam duas.
Se na intensidade for considerar tempo, ah... A guria. Com direito a artigo próprio. Aqueles olhos puxados me assombram e me dão saudade. Eu não sei se foi o tempo que agiu contra a gente ou se foram os próprios sentimentos. Dizem por aí que tudo tem um limite, certo? Talvez o meu e o dela já tenham ultrapassado. Mas eu, aqui, afirmo pra mim, e pra quem mais acreditar: "Com você eu vivi a mais conturbada e deliciosa história de todas." - Nem sempre a vida nos reserva a oportunidade de realizar os sonhos e os planos, infelizmente. Mas, eu sei, que se tivessemos a oportunidade de realizar tudo, o mundo então seria pequeno.
Pra fechar o círculo vem ela, aquela. A menina do sorriso mais bonito. Que pegou as coisas, virou as costas, não olhou pra trás. Mas deixou lembranças e o perfume por todos os cantos de mim que passou. E ainda deixa. Quem sabe até quando? Quem sabe, até quando...

Uma vez ouvi dizer que ter boa memória é uma coisa boa. Ou então pode ser um inferno de lembranças. Eu guardo mágoas, guardo boas coisas, guardo saudades, muitas. Eu guardo-as aqui, com carinho e com afeto.

Obs.: Eu prefiro o mistério.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Por enquanto

Depois que os nossos ventos resolveram soprar pra lados opostos, eu abri os olhos e vi que o sol continuava brilhando com o mesmo esplendor de sempre. O meu violão ainda estava com o mesmo tom, meu tênis sujo com calda de chocolate continuava sujo, meus passarinhos ainda cantavam quando eu abria a janela. Ao meu redor, as coisas continuavam as mesmas, o mundo continuava o mesmo, apenas eu tinha mudado. Era a hora de parar de se revoltar com todas as pessoas e perceber que tudo o que aconteceu, modificou apenas a gente, e no meu caso foi pra melhor.
Resolvi deixar pra trás aquele meu pensamento adolescente de amor pra vida toda. Pra minha vida toda. Eu, que transito de um lugar pra outro em menos de um segundo, que oscilo quatro vezes ao dia, que tenho olhos que alternam de cor conforme meu humor, não poderia esperar estar com uma e apenas uma pessoa pra sempre. É utópico demais até pra mim, que vivo voando por aí.
Eu tenho uma boa memória. Penso que pode ser ruim em alguns casos, mas em geral, é um grande baú de boas lembranças que eu faço questão de revirar todos os dias. Estar é coisa transitória, já gostar... Bem, no meu caso, é pra valer. Eu não abandono pessoas pelas curvas que minha vida faz, muito menos sentimentos. Sou do tipo que me apego tanto ao que sinto, que já não é mais algo que faz parte de mim, mas sim o que me define. Eu sou, eu sinto.
Eu só... Mudo algo que está no topo pra segunda posição, até que fique apenas no meu baú de recordações. Você, a gente, ainda não foi pra lá. Mas já não é prioridade. Anda do meu lado, vezenquando, segura na minha mão. Mas eu sigo agora apenas dependente do meu próprio sorriso. Não sei até quando, tomo por mim que "por enquanto" é uma boa definição.

Por enquanto, por enquanto. No entanto... Deixa pra lá. Você sabe de tudo mesmo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um solitário andar por entre a gente

Eu nunca tive medo de morrer. Achava engraçado quem dizia que o maior medo era morrer, afinal, é uma coisa inevitável, faz parte do ciclo vital, parte de ser humano, parte de ser. Meu maior medo sempre foi ficar sozinha. Não ter com quem dividir os meus dramas, pra quem sorrir ou sei lá, contar sobre meu dia.
Sempre achei exagero as declarações adolescentes sobre a necessidade de um pelo outro. Ainda acho, aliás, mesmo confessando já ter caído nesse clichê. Platonizando, penso que existe a necessidade de uma outra pessoa, sim, mas não específica, com nome, RG e CPF. Como a frase já diz "É impossível ser feliz sozinho". É mais ou menos ou totalmente essa teoria que eu estou vivendo.
Pode ser pela minha carência excessiva ou necessidade de afeto, talvez as duas coisas sejam a mesma coisa. Mas... Eu não consigo. Não vivo bem sem objetivos, aliás, vivo, ando bem agradecendo por isso, mas não tão bem quanto eu queria.
Eu, como pessoa, preciso de alguém. Seja pra dividir uma xícara de chocolate, segurar as barras que a vida te joga ou só mesmo pra segurar a mão. Preciso ter a ciência de que alguém pensa em mim antes de dormir e depois de acordar. Acho esse clichê da vida bem bonito. As coisas se tornam bonitas quando você já teve a chance de experimentá-las e sabe como é bom.
Assim, assumo a minha necessidade humana de um outro humano. E registro também, mesmo com tudo isso, não estar procurando, nem desprocurando alguém. Deixo o vento soprar, querendo ou não.

Quem sabe uma hora eu acostumo a ser feliz apenas por mim.