terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Por enquanto

Depois que os nossos ventos resolveram soprar pra lados opostos, eu abri os olhos e vi que o sol continuava brilhando com o mesmo esplendor de sempre. O meu violão ainda estava com o mesmo tom, meu tênis sujo com calda de chocolate continuava sujo, meus passarinhos ainda cantavam quando eu abria a janela. Ao meu redor, as coisas continuavam as mesmas, o mundo continuava o mesmo, apenas eu tinha mudado. Era a hora de parar de se revoltar com todas as pessoas e perceber que tudo o que aconteceu, modificou apenas a gente, e no meu caso foi pra melhor.
Resolvi deixar pra trás aquele meu pensamento adolescente de amor pra vida toda. Pra minha vida toda. Eu, que transito de um lugar pra outro em menos de um segundo, que oscilo quatro vezes ao dia, que tenho olhos que alternam de cor conforme meu humor, não poderia esperar estar com uma e apenas uma pessoa pra sempre. É utópico demais até pra mim, que vivo voando por aí.
Eu tenho uma boa memória. Penso que pode ser ruim em alguns casos, mas em geral, é um grande baú de boas lembranças que eu faço questão de revirar todos os dias. Estar é coisa transitória, já gostar... Bem, no meu caso, é pra valer. Eu não abandono pessoas pelas curvas que minha vida faz, muito menos sentimentos. Sou do tipo que me apego tanto ao que sinto, que já não é mais algo que faz parte de mim, mas sim o que me define. Eu sou, eu sinto.
Eu só... Mudo algo que está no topo pra segunda posição, até que fique apenas no meu baú de recordações. Você, a gente, ainda não foi pra lá. Mas já não é prioridade. Anda do meu lado, vezenquando, segura na minha mão. Mas eu sigo agora apenas dependente do meu próprio sorriso. Não sei até quando, tomo por mim que "por enquanto" é uma boa definição.

Por enquanto, por enquanto. No entanto... Deixa pra lá. Você sabe de tudo mesmo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um solitário andar por entre a gente

Eu nunca tive medo de morrer. Achava engraçado quem dizia que o maior medo era morrer, afinal, é uma coisa inevitável, faz parte do ciclo vital, parte de ser humano, parte de ser. Meu maior medo sempre foi ficar sozinha. Não ter com quem dividir os meus dramas, pra quem sorrir ou sei lá, contar sobre meu dia.
Sempre achei exagero as declarações adolescentes sobre a necessidade de um pelo outro. Ainda acho, aliás, mesmo confessando já ter caído nesse clichê. Platonizando, penso que existe a necessidade de uma outra pessoa, sim, mas não específica, com nome, RG e CPF. Como a frase já diz "É impossível ser feliz sozinho". É mais ou menos ou totalmente essa teoria que eu estou vivendo.
Pode ser pela minha carência excessiva ou necessidade de afeto, talvez as duas coisas sejam a mesma coisa. Mas... Eu não consigo. Não vivo bem sem objetivos, aliás, vivo, ando bem agradecendo por isso, mas não tão bem quanto eu queria.
Eu, como pessoa, preciso de alguém. Seja pra dividir uma xícara de chocolate, segurar as barras que a vida te joga ou só mesmo pra segurar a mão. Preciso ter a ciência de que alguém pensa em mim antes de dormir e depois de acordar. Acho esse clichê da vida bem bonito. As coisas se tornam bonitas quando você já teve a chance de experimentá-las e sabe como é bom.
Assim, assumo a minha necessidade humana de um outro humano. E registro também, mesmo com tudo isso, não estar procurando, nem desprocurando alguém. Deixo o vento soprar, querendo ou não.

Quem sabe uma hora eu acostumo a ser feliz apenas por mim.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Arranjei alguém chamado "saudade"

Há quem diga que se pode fugir de tudo. Eu discordo. Fugi dela, fugi das lembranças, das fotos, das "nossas" músicas, da minha (segunda) banda preferida, mas não consegui fugir da saudade. Talvez por ela ter me encurralado até nos lugares e horários menos prováveis, ou por simplesmente não ter como fugir mesmo. Eu vejo sorrisos com dono em rosto desconhecidos, ouço músicas sertanejas (sem querer) e lembro de momentos, esbarro com pessoas que bagunçam minha cabeça e meu coração. Eu tenho corrido bastante das coisas que me lembram ela e me fazem sentir saudade, acredite. Mas, infelizmente, chegou a hora na corrida que o atleta para, se curva, coloca as mãos sobre os joelhos e está com a respiração e o coração desesperados, cansados, sem mais pra onde e nem por onde ir. A saudade agora me inundou e eu cansei de fugir dela. Não sinto sua falta, certa vez me disseram que "falta" se coloca outra pessoa no lugar. Eu sinto saudade. A palavra genuínamente brasileira, mais bonita, mais doída (certas vezes) e mais apressada de todas. É saudade da guria. Daquela guria lá, que foi, caminhou sem mim, foi ver a vida florescer por outra primavera. Eu fico aqui, ainda. Me disseram também que só se lembra do que se esquece. Eu não lembro dela em nenhuma hora do meu dia, só sinto saudade.
Tem remédio pra saudade, doutor? Se tiver, me dê uma receita que tem validade pra 4 meses, por favor. E que a dose seja forte, pois o sintoma principal está forte e o antídoto sorrisuseusabraços está em falta no mercado.

"Enquanto isso, navegando vou sem paz.
Sem ter um porto, quase morto, sem um cais.
"