segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Uma carta de despedida

"Amanheceu, e eu deveria estar dormindo
Mas estes versos são palavras explodindo
E, no teu colo, um dia, elas vão cair
E aonde isso vai dar, não cabe a nós decidir.
"

Tenho o costume de deitar a cabeça no travesseiro e fazer uma retrospectiva de tudo que aconteceu, está acontecendo ou pode acontecer. Eu tinha esse costume, até começar a pensar apenas e somente em você, antes de dormir. No que aconteceu com a gente, estava acontecendo e ia acontecer. Ontem, eu tive pouca coisa pra pensar. Apenas "o que aconteceu". Em forma de pergunta, isso pairou sobre mim e eu fui inundada com um silêncio ensurdecedor... Como um grito de desespero, quando não se tem mais forças pra gritar. Nada sai, nada entra. Eu fiquei apenas ouvindo o som da minha respiração, e dormi.
Sonhei com você.
Sem contato, apenas o olhar. Sem barulho, apenas o som do vento que soprava em seus cabelos. Eu não tentei decifrar o seu olhar, você não tentou decifrar minha expressão. Eu, com uma certa distância, estiquei os braços e lhe entreguei uma carta. Você, educadamente segurou, mas não abriu. Acenei com a cabeça e fui embora.
Não olhei pra trás.
Quando acordei, senti uma espécie de dor-alívio-vazio-aperto que nunca vou conseguir explicar. Algo confuso, como foi a gente. No sonho eu não vi o que estava escrito na carta. Mas, se for o que estou sentindo agora, deve ter sido mais ou menos assim:

"Guria,

Sempre fomos o casal roda gigante. Girávamos o tempo todo, íamos pra baixo, pra cima, um equilíbro. Mas nada nunca durava por muito tempo. Nós enfrentamos tantas coisas, nos enfrentamos, corremos quando tivemos medo, corremos uma da outra. Em um ano, cinco meses e um dia, eu poderia escrever um livro. Com apenas dois exemplares. Mas, tudo isso agora, ficou pra trás. As coisas às vezes fogem ao nosso controle, foi isso que aconteceu com a gente. Eu não sei definir se foi a falta ou se foi o excesso, algo nos atrapalhou. Ou foi apenas o tempo que resolveu lembrar que nós existíamos e sentiu inveja disso. Daqui em diante, de hoje em diante, eu vou seguir o meu caminho, seja ele longo ainda, ou quem sabe pode ter diminuído? Quem sabe. Sei que você já está um pouco mais além e seguiu antes de mim. Fique atenta as placas e pense bem antes de fazer a curva. Na estrada da vida infelizmente não se pode engatar marcha-ré. Eu não lhe escrevo pra ser hipócrita e desejar apenas coisas boas. Claro que eu quero que você as tenha, mas sei que a vida não é feita somente disso. Sei que os obstáculos vão surgir, mas então, lhe desejo força de vontade pra enfrentá-los, maturidade e coragem. As dores vão surgir, as perdas, os desesperos. Paciência, guria. É uma das mais belas virtudes que alguém pode ter. Seja perseverante, acredite que você pode estar no fundo do fundo do fundo do poço, que as coisas podem demorar, mas vão se resolver. Tenho vivido pra perseverar, apenas. Tenha fé, em você, acima de qualquer coisa. Você é capaz de tudo, menos voar e se teletransportar. Quem dera pudesse, hein? Você não é perfeita, nunca foi e nem chegará perto de ser. Sorria por isso. Foi por ser assim que eu me apaixonei, e por ser assim que eu espero me desapaixonar. Ou desamar. Desenredo. Muita gente ainda vai passar na mesma estação que você, pegar o mesmo trem, sentar no mesmo banco e segurar a sua mão. Segure firme se confiar, corra se for se machucar. Se precisar de mim, eu estarei aqui. Ao menos espero estar. Agora, peço perdão por tudo que me arrependo, por tudo que já pedi desculpas. Você foi minha razão-objetivo-força-porto-seguro por muito tempo, mas agora é hora de mudar de casa, de cidade, de coração. Eu tenho tanto pra te dizer, mas o que eu posso, é apenas isso. Sem mais, agora, eu me despeço. Eu te deixo sorrisos, deixo abraços, deixo lágrimas (tantas) e uma boa pitada de saudade.

Sem dor, sem mágoa, sem raiva e desprezo (por favor), cem saudades, cem beijos, cem abraços.

Se cuida, se cubra, vê se te alimenta.

Preta."

Ps.: "E acredite quando eu digo: seja feliz
Você nasceu pra ser espinho, e eu cicatriz."

Ps.²: Ainda te devo uma música voz + violão. Vou pagar.

Obs: Texto escrito na madrugada do dia 26/11/2011, quando minhas lágrimas disputavam corrida com as gotas de soro que desciam até minhas veias.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sereno é quem tem a paz de estar em paz com você

Eu sempre gostei de dar sorrisos e abraços sinceros nas pessoas que eu gosto ou que precisam daquilo naquele momento. Hoje, saí do serviço, como todo o meu choro entalado e disfarçado e fui caminhar. Vi o céu ensolarado todo cinza. Em alguma parte do caminho, depois de sei lá quantas pedras chutadas, encontrei um amigo, que me abriu um sorriso e me abraçou forte. Pela primeira vez, eu não retribui o sorriso e nem o abracei mais forte ainda. Sua risada ecoava na minha cabeça e isso me doía tão, tão afundo... Eu disfarcei as lágrimas quase escorridas e me despedi. O seu sorriso me fazendo chorar, foi o que aconteceu por todo caminho de volta pra casa. Contraditório? Crível? Incrível? Sim. Eu nunca pude imaginar que seu sorriso, tão lindo e tão... sorriso, fosse simplesmente me fazer derramar lágrimas tão doloridas daquela forma. Dessa forma, também no presente. O meu coração... Que coração? O meu ficou aí, nas suas mãos, pulsante, sangrando. Eu só sinto um enorme buraco em tudo que eu vejo e tudo que eu sinto. Sei que é vago e clichê dizer isso... Mas, eu não consigo, sabe? Ficar assim, imaginar a situação. Eu fiz tantos planos pra gente, eu pensei tanto, sorri tanto. Todos os meus sonhos tem sua partipação, protagonizando junto comigo, com flores e música. Apertar restart quando se chegou na reta final, simplesmente, não dá. Eu te deixo seguir pra qual caminho você quiser, quem sou eu pra te prender, guria? Só a sua preta. Bom, construímos uma vida através de caminhos que trilhamos com nossas escolhas. A sua cabe apenas à você, e a minha... Bom, eu só digo que dentre esses caminhos, há uma encruzilhada. Eu estarei ali, sentada. Com meu violão, tocando "Janta". Você pode ir, voltar, ou não voltar, ou não ir. Eu estarei ali, no mesmo lugar, da mesma forma. Vezenquando você pode voltar pra sorrir pra mim, sem lágrimas, ou só pra cantar Los Hermanos comigo. É, morena, não tá tudo bem, as coisas não estão serenas por aqui. E a bonança nada tem a ver com a tempestade. Mas, as margens do rio são opostas, não? Assim como nós. Eu espero que fique sempre tudo bem e que você sorria sempre esse sorriso mais lindo do mundo, sem dor. Só um pouco.

domingo, 20 de novembro de 2011

Seu sorriso e meu par de asas

Deixei de lado a minha miséria de sentimentos, o rancor empregnado no peito, a angústia sufocante. Dei espaço pra sentir prazer a cada pulsar de músculos que não param no meu corpo. Parei com as tentativas de esquecer que a rotação da Terra não vai parar por uma decepção que eu tive. Era hora de segurar na minha própria mão e seguir a trilha do meu caminho que tem tanto pela frente. 
Cansei de ver a vida continunando sem parar, os carros passando, as sirenes tocando, enquanto eu estava ali... Sentada naquele mesmo banco de praça, vendo tudo acontecer de longe, sem me envolver. Eu resolvi entrar na chuva pra me molhar, sem pensar na gripe que possa vir depois.
Eu nunca gostei das coisas pela metade. Sempre fui definida pela intensidade, não deixo mais isso de lado, não. Se for pra sofrer, sofrerei. Se for pra chorar, acontecerá. E se for pra ser feliz, eu serei feliz a cada segundo, tendo o prazer de tirar os pés do chão e poder cantar e voar, como os pássaros que eu gosto tanto de ouvir cantar quando caminho no parque.
Eu nasci pra ser passarinho. Abre a janela pra mim, que vou aí cantar pra você todas as manhãs.