Depois que os nossos ventos resolveram soprar pra lados opostos, eu abri os olhos e vi que o sol continuava brilhando com o mesmo esplendor de sempre. O meu violão ainda estava com o mesmo tom, meu tênis sujo com calda de chocolate continuava sujo, meus passarinhos ainda cantavam quando eu abria a janela. Ao meu redor, as coisas continuavam as mesmas, o mundo continuava o mesmo, apenas eu tinha mudado. Era a hora de parar de se revoltar com todas as pessoas e perceber que tudo o que aconteceu, modificou apenas a gente, e no meu caso foi pra melhor.
Resolvi deixar pra trás aquele meu pensamento adolescente de amor pra vida toda. Pra minha vida toda. Eu, que transito de um lugar pra outro em menos de um segundo, que oscilo quatro vezes ao dia, que tenho olhos que alternam de cor conforme meu humor, não poderia esperar estar com uma e apenas uma pessoa pra sempre. É utópico demais até pra mim, que vivo voando por aí.
Eu tenho uma boa memória. Penso que pode ser ruim em alguns casos, mas em geral, é um grande baú de boas lembranças que eu faço questão de revirar todos os dias. Estar é coisa transitória, já gostar... Bem, no meu caso, é pra valer. Eu não abandono pessoas pelas curvas que minha vida faz, muito menos sentimentos. Sou do tipo que me apego tanto ao que sinto, que já não é mais algo que faz parte de mim, mas sim o que me define. Eu sou, eu sinto.
Eu só... Mudo algo que está no topo pra segunda posição, até que fique apenas no meu baú de recordações. Você, a gente, ainda não foi pra lá. Mas já não é prioridade. Anda do meu lado, vezenquando, segura na minha mão. Mas eu sigo agora apenas dependente do meu próprio sorriso. Não sei até quando, tomo por mim que "por enquanto" é uma boa definição.
Por enquanto, por enquanto. No entanto... Deixa pra lá. Você sabe de tudo mesmo.
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