Ultimamente não tenho tido uma boa definição do que sou, me tornei ou pretendo ser. Estou "deixando ser", vagando por aí. Eu, que vivia fazendo planos, parei por medo de que esses não se concretizem. Eu, que vivia sorrindo por aí aos conhecidos e desconhecidos, agora apenas sorrio em resposta. Se ano novo deve vir com comportamento novo, o meu, definitivamente, não é o mesmo.
Deixei de voar por coisas que não me davam asas.
Talvez os dias e os tropeços tenham me saturado, me desgastado. Talvez não, aposto e ganho que foi isso. Cansei de todas as pessoas que passaram por mim até hoje, usaram o que precisaram e partiram estrada a fora. Cansei de ser um ponto de parada pra forasteiros desavisados.
De ontem em diante, eu quero que as coisas sejam certas, sejam válidas, sejam permanentes. Eu não quero mais aventuras de uma noite ou de um mês. Tenho uma soma pequena na idade mas uma pilha enorme de desilusões e de castelos que se desmoronaram.
Se você quer vir, traga tudo. Mochila, escova de dentes e coração. Mas, que eu seja um lar, não apenas uma casa pra se aconchegar durante uma viagem fria.
Intensidade por intensidade. De agora pra frente.
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