Eu nunca tive medo de morrer. Achava engraçado quem dizia que o maior medo era morrer, afinal, é uma coisa inevitável, faz parte do ciclo vital, parte de ser humano, parte de ser. Meu maior medo sempre foi ficar sozinha. Não ter com quem dividir os meus dramas, pra quem sorrir ou sei lá, contar sobre meu dia.
Sempre achei exagero as declarações adolescentes sobre a necessidade de um pelo outro. Ainda acho, aliás, mesmo confessando já ter caído nesse clichê. Platonizando, penso que existe a necessidade de uma outra pessoa, sim, mas não específica, com nome, RG e CPF. Como a frase já diz "É impossível ser feliz sozinho". É mais ou menos ou totalmente essa teoria que eu estou vivendo.
Pode ser pela minha carência excessiva ou necessidade de afeto, talvez as duas coisas sejam a mesma coisa. Mas... Eu não consigo. Não vivo bem sem objetivos, aliás, vivo, ando bem agradecendo por isso, mas não tão bem quanto eu queria.
Eu, como pessoa, preciso de alguém. Seja pra dividir uma xícara de chocolate, segurar as barras que a vida te joga ou só mesmo pra segurar a mão. Preciso ter a ciência de que alguém pensa em mim antes de dormir e depois de acordar. Acho esse clichê da vida bem bonito. As coisas se tornam bonitas quando você já teve a chance de experimentá-las e sabe como é bom.
Assim, assumo a minha necessidade humana de um outro humano. E registro também, mesmo com tudo isso, não estar procurando, nem desprocurando alguém. Deixo o vento soprar, querendo ou não.
Quem sabe uma hora eu acostumo a ser feliz apenas por mim.
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