Há quem diga que se pode fugir de tudo. Eu discordo. Fugi dela, fugi das lembranças, das fotos, das "nossas" músicas, da minha (segunda) banda preferida, mas não consegui fugir da saudade. Talvez por ela ter me encurralado até nos lugares e horários menos prováveis, ou por simplesmente não ter como fugir mesmo. Eu vejo sorrisos com dono em rosto desconhecidos, ouço músicas sertanejas (sem querer) e lembro de momentos, esbarro com pessoas que bagunçam minha cabeça e meu coração. Eu tenho corrido bastante das coisas que me lembram ela e me fazem sentir saudade, acredite. Mas, infelizmente, chegou a hora na corrida que o atleta para, se curva, coloca as mãos sobre os joelhos e está com a respiração e o coração desesperados, cansados, sem mais pra onde e nem por onde ir. A saudade agora me inundou e eu cansei de fugir dela. Não sinto sua falta, certa vez me disseram que "falta" se coloca outra pessoa no lugar. Eu sinto saudade. A palavra genuínamente brasileira, mais bonita, mais doída (certas vezes) e mais apressada de todas. É saudade da guria. Daquela guria lá, que foi, caminhou sem mim, foi ver a vida florescer por outra primavera. Eu fico aqui, ainda. Me disseram também que só se lembra do que se esquece. Eu não lembro dela em nenhuma hora do meu dia, só sinto saudade.
Tem remédio pra saudade, doutor? Se tiver, me dê uma receita que tem validade pra 4 meses, por favor. E que a dose seja forte, pois o sintoma principal está forte e o antídoto sorrisuseusabraços está em falta no mercado.
"Enquanto isso, navegando vou sem paz.
Sem ter um porto, quase morto, sem um cais."
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