Era pra ser só uma coisa qualquer, um lance qualquer, outra pessoa qualquer, uma despedida qualquer. Mas não foi isso que aconteceu.
Eu sempre tive dificuldade em me adaptar a mudanças, por menores que fossem. Uma espécie de negação, talvez... Uma maneira de tentar ficar na mesma zona de conforto sempre, sem drásticas mudanças, sem alteração na rotina. E por esse motivo, sempre preferi deixar decisões que me levariam a mudanças de lado. Evitava - evito- ao máximo.
Mas, sempre existe aquele momento em que não existem mais outros meios, outros caminhos. Nenhum buraquinho sequer pra se enfiar e tentar sair do outro lado. Quando não se pode mais empurrar com a barriga ou fechar os olhos, a boca e os ouvidos pra o que está ali sendo colocado bem na sua frente, com toda brutalidade. E assim foi.
Eu tive que tomar minha decisão. Aliás, eu tive que aceitar o que já havia sido decidido pelos fatos mas que eu tomava doses diárias de negação. Aceitei, por fim. Aceitei que as coisas infelizmente não vão acabar se tornando como a gente quer, ou voltando a ser, quando estão sendo seguradas por apenas alguns fios. E que não adianta ir remendando uma coisa que já ia se rasgando em várias partes ao mesmo tempo. Foram feitas ruinas de nós, e isso ia me corroendo aos poucos.
Senti alguma sensação de fracasso, como se tivesse saído da arena sem enfrentar o oponente. Ainda sinto. Só que à partir disso eu penso: Que oponente? Não havia luta, não havia disputa, não havia competição. Não existem inimigos e eu não sei o que aconteceu pra que as coisas chegassem a tal ponto. Em que lugar do caminho a gente se perdeu? Em que pedra nós tropeçamos? Qual esquina que viramos cada um pra um lado? Sinceramente... Não sei. Só sei que foi assim. E esse assim é doído.
Desde que tudo começou, virei outra pessoa. E garanto não imaginar que seria tudo assim, que eu mudaria tanto como aconteceu. Eu acho que acabei crescendo. Quando abri as portas do meu mundo pra você, deixei todo o resto entrar, o mundo real. Pra mim isso foi de extrema importância.
Nesse momento eu me pego em uma tristeza profundíssima, por muitos motivos. E a cada momento tento entender mais alguns, ou os mais antigos. Claro que a minha tristeza é pela perda, pela separação, por você, e tudo mais. Isso é óbvio e nada posso argumentar. Mas, acho que o que me deixa ainda pior, é por ter que me desapegar. Por parar de sonhar, de fazer os planos, de pensar, suspirar. Por não poder mais ligar dizendo ser sem motivos quando o motivo maior era só querer ouvir a sua voz. Por doer todas as vezes em que eu me pegar avoada do mundo e não poder apenas sorrir, ao estar pensando em você. É triste ter que enfrentar toda essa mudança de uma rotina que eu gostava tanto e que me fazia bem. Não era uma felicidade extrema, mas era essencial. Tudo que eu precisava pra poder enfrentar todas as durezas e os problemas, tanto os meus, como os seus, e os que acabaram virando nossos.
Pior em tudo isso é ter que enfrentar que eu preciso parar com tudo isso que eu gostava tanto. E não ter um sólido motivo que me empurra a enfrentar tudo isso. Aceitar que as coisas ficaram assim e tiveram que ser assim porque simplesmente tiveram que ser assim é ruim demais. É vazio demais. É escuro demais.
E você sabe que eu tenho medo de escuro.
E, além do meu medo de escuro, eu tenho um péssimo senso de direção e de equilíbrio. Estou aqui, no escuro, e perdida, sem saber muito bem pra onde é que eu devo ir agora. E eu não tenho a menor noção de pra onde eu devo ir agora.
Só queria saber porque foi que a gente se soltou em alguma parte do caminho. Será que se voltarmos nesse ponto da estrada as coisas voltam ao lugar? Mas, em qual ponto foi mesmo?
Tudo está muito confuso. Principalmente na minha cabeça.
Talvez eu só precise de uma xícara de café e de um colo pra chorar.
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